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Sobre o Framework SinergIA (S)

Versão: 0.90b (beta) · Data: 2026-04-11 · Autor/Responsável: Elias Cotrim


SinergIA é um framework de processo e governança para desenvolvimento de sistemas com uso intensivo de inteligência artificial. Ele define como trabalhar com IA — papéis, artefatos, validações, evidências e controles — não qual IA usar.

Como qualquer framework estruturado, o SinergIA não é homogêneo: diferentes partes dele exercem funções distintas. Algumas recomendam, outras exigem. Algumas descrevem o funcionamento, outras detalham a execução. Compreender essa distinção é essencial para aplicar o framework com proporcionalidade e clareza institucional.

Esta página mapeia cada componente do SinergIA segundo seis naturezas documentais, permitindo que equipes, gestores e auditores identifiquem imediatamente o grau de obrigatoriedade e a margem de adaptação de cada elemento.


Documento de caráter recomendatório. Apresenta boas práticas, direções, sugestões e referências que podem ser adotadas integralmente, parcialmente ou adaptadas conforme o contexto. Não impõe conformidade estrita, mas serve para apoiar decisões e melhorar a qualidade das ações.

Características: alta flexibilidade, foco em apoio e aprendizado, admite customização ampla.

Documento que estabelece requisitos obrigatórios, critérios mínimos ou regras que devem ser observados. Seu objetivo é padronizar comportamentos, garantir conformidade e permitir verificação objetiva de atendimento.

Características: força obrigatória, foco em conformidade, usa linguagem de dever e exigência.

Documento que define como a organização ou iniciativa deve funcionar na prática. Estrutura papéis, fluxos, responsabilidades, artefatos, pontos de controle e formas de interação entre áreas ou agentes. Não necessariamente descreve cada passo minucioso, mas organiza o funcionamento do modelo.

Características: foco no funcionamento cotidiano, define estrutura de execução, pode admitir ajustes locais.

Documento voltado à execução detalhada de uma atividade específica. Descreve a sequência de passos, entradas, responsáveis, validações, exceções e saídas esperadas, permitindo que a rotina seja repetida com consistência.

Características: detalhamento prático, passo a passo claro, foco em repetibilidade e padronização da execução.

Documento que estabelece um método definido, com baixa margem de adaptação. Determina não apenas o que deve ser alcançado, mas também como isso deve ser feito, preservando uma lógica específica de execução. Desvios podem comprometer a aderência ao método.

Características: baixa flexibilidade, método estruturado, forte direcionamento de execução.

Documento de observância integral, no qual a aderência completa ao método ou rito é condição obrigatória. Não admite flexibilização relevante, salvo exceções formalmente autorizadas. Seu uso normalmente está associado a controle rigoroso, auditoria, certificação, segurança ou integração crítica.

Características: rigidez máxima, cumprimento integral, desvio descaracteriza a conformidade.


Componentes que oferecem direção e sugestões, sem impor conformidade estrita:

ComponenteLocalização no framework
Apêndice A — Stack de referênciaO próprio framework declara: “Este apêndice é não prescritivo.” Ferramentas como GitHub Actions, LangChain e Figma são referências de mercado — a GTI decide o que adotar.
Documentos estruturantes opcionaisArtefatos como VIS, BRD, PRD, RFC, SDD, TDD, DOM, ERD, API, TPL, DOD, CHG, REL — cada ponto de vista “poderá utilizar” conforme necessidade.
Princípio da proporcionalidade (2.9)Orienta aplicação proporcional à criticidade do projeto; não impõe o conjunto completo a todos os casos.
Modo Ágil — Baixa Criticidade (17.3)Configuração mínima do framework para protótipos, MVPs e ferramentas internas de baixo impacto. Alta flexibilidade dentro dos limites estabelecidos.
Indicadores de desempenho (15.1)KPIs com metas orientativas (“a definir por projeto”) — referência, não exigência fechada.
Compatibilidade com metodologias ágeis (seção 13)Recomendação de cadência por sprint — orientação de integração, não obrigação.

Componentes que estabelecem requisitos obrigatórios a serem observados em todos os projetos que adotam o framework:

ComponenteLocalização no framework
Princípios gerais do modelo (seção 2)Os 9 princípios — rastreabilidade integral, validação em múltiplas camadas, supervisão humana obrigatória, segregação por ponto de vista, conformidade desde a origem, evidência mínima obrigatória, documentação contínua, documentação curta, proporcionalidade — são normativos para toda aplicação.
Convenção de nomenclatura de arquivos (seção 11)Padrão <PV>-<TIPO>-<NUM>--<descricao-curta>.md é obrigatório. Nomenclatura incorreta quebra rastreabilidade e auditabilidade.
Regras obrigatórias de cada ponto de vistaSeções 4.2 (ESP), 5.4 (INF), 7.3 (IMP), 8.2 (GTI), 9.2 (GDA), 10.2 (PDP) — todas usam linguagem de dever e exigência explícita.
Evidências mínimas obrigatórias por ponto de vistaSeções 4.3, 5.5, 6.3, 7.4, 8.4, 9.3, 10.3 — definem o conjunto mínimo que não pode ser suprimido.
Cláusula de transparência operacional (seção 14)Informações obrigatórias ao usuário final sobre IA, autenticação, uso de dados e disclaimers.
Regras obrigatórias de prototipação (seção 6.2)Registro de reunião, versionamento e vinculação às histórias são normativos.

Componentes que descrevem como o framework funciona no dia a dia — papéis, fluxos, estrutura de execução:

ComponenteLocalização no framework
Ciclo operacional do framework (seção 13)Descreve o fluxo entre pontos de vista, responsáveis por etapa e como as validações se encadeiam no processo de desenvolvimento.
Papéis de supervisão humana (seção 8.5)Define Validador Técnico, Validador de Negócio e Encarregado de Dados/Privacidade — seus focos e como a IA os apoia com briefings estruturados.
Artefato Orquestrador (seção 18)Componente central de automação: monitora repositórios, aciona validações, executa o Linter de Governança, gera dossiês e controla consumo de tokens.
Linter de Governança (seção 8.7)Mecanismo automatizado que verifica conformidade documental antes de cada gate de promoção. Parte integrante do Artefato Orquestrador.
Modos de aplicação (seção 17)Estrutura o funcionamento proporcional: Completo (alta criticidade), Essencial (média) e Ágil (baixa). Define quais pontos de vista, histórias e validações se aplicam em cada modo.
Estrutura de repositórios e documentação (seção 12)Organização por pastas, regras de documentação curta, versionamento e documentação automatizada como pré-requisito operacional.
Governança de uso de IA na GTI (seção 8.2)Engines permitidas, agentes autorizados, contextos e pontos de intervenção humana — funcionamento institucional do uso de IA.
Gestão de custo e capacidade de IA (seção 8.8)Políticas de controle de consumo de tokens, retenção de histórico e avaliação periódica de engines.

Componentes que descrevem sequências de execução, passos, responsáveis, validações e saídas esperadas:

ComponenteLocalização no framework
CI/CD — operacionalização na IMP (seção 7.2)Descreve como a implantação operacionaliza as pipelines: integração contínua, testes, build, promoção entre ambientes, aprovação manual em gates, rollback e geração de evidências.
CI/CD — definição de requisitos na INF (seção 5.2)Define o que cada pipeline deve contemplar, com sequência e responsabilidades entre INF e IMP.
Condições de exceção e retorno (seção 13.1)Tabela de situações operacionais (divergência entre engines, rejeição humana, rollback, ausência de registro) com ação obrigatória correspondente a cada caso.
RUN — Runbook / PlaybookArtefato documental do framework para execução de rotinas operacionais e resposta a incidentes — especialmente em INF e PDP.
PMT — PostmortemArtefato obrigatório após rollback com impacto em produção ou incidentes com dados pessoais. Registra causas, ações e lições aprendidas.
Regras de monitoração (seção 5.3)Descreve cadeia completa: classificação de eventos, severidade, responsáveis, canais, escalonamento, temporalidade, prazos de resposta e evidência de acionamento.
Registro obrigatório de reunião (seção 6.2)Procedimento com entradas e saídas definidas: transcrição ou gravação, capturas do protótipo e log estruturado de decisões.

Componentes que estabelecem métodos com baixa margem de adaptação — definem não só o que alcançar, mas como fazê-lo:

ComponenteLocalização no framework
Estrutura de histórias da especificação (seção 4.1)Define exatamente os 11 tipos de histórias (HNI, HNE, HNU, HS, HI, HRD, HUX, HC, HAI, HAC, HIVC) e o que cada uma deve conter. O método de estruturação é prescrito.
Critério de divergência obrigatória — ESP (seção 4.2)Especifica precisamente o que configura divergência relevante (segurança, dado pessoal, lógica crítica, conformidade) versus o que não configura (estilo, formatação).
Critério de divergência obrigatória — IMP (seção 7.1)Idem para a implementação: comportamento de segurança, dado pessoal, lógica crítica, teste de segurança ou Nível 3 no modelo de autonomia.
Validação cruzada obrigatória (Princípio 2.2)Prescreve o método: modelo diferente, provedor diferente, sessão sem memória compartilhada e perspectiva de análise diferente. Não há liberdade de reinterpretar o que configura “contexto distinto”.
Modo Completo — Alta Criticidade (seção 17.1)Para projetos de alta criticidade, todas as dimensões são prescritas: 7 pontos de vista, 11 tipos de histórias, 7 repositórios segregados, validação tripla, cobertura ≥ 80%.
Organização de repositórios (seção 12.1)Prescreve a estrutura de pastas (/00-indice, /01-visao-geral, etc.) e as autoridades documentais (ESP sobre requisitos, INF sobre infraestrutura, GTI sobre decisões).
Estrutura de histórias de infraestrutura (seção 5.1)Prescreve HII e HIS com subtipos obrigatórios — 6 tipos institucionais e 9 tipos da solução.

Componentes de observância integral — desvio descaracteriza a conformidade, normalmente associados a segurança, dados pessoais, auditoria e operação crítica:

ComponenteLocalização no framework
PDP — Proteção de Dados Pessoais (seção 10)Privacidade desde a concepção não é opcional. Toda história que envolva dados pessoais ou sensíveis deve ser identificada, avaliada e controlada. Vinculado à LGPD — sem flexibilização.
Artefato Orquestrador como pré-requisito (seção 18.1)“O Artefato Orquestrador não é opcional. Sem ele, a execução do framework depende inteiramente de intervenção humana manual.” Ausência invalida o modelo.
Gate de promoção de ambiente (seções 7.3 e 13)Nenhuma promoção entre ambientes ocorre sem evidências mínimas de conformidade, segurança, qualidade, rastreabilidade e aderência às histórias aprovadas. Bloqueio absoluto.
Linter de Governança como bloqueador (seção 8.7)O Linter bloqueia o avanço de fase quando artefatos obrigatórios estiverem ausentes ou incompletos. Não há avanço sem resolução das não-conformidades.
Nível 3 — Crítico no modelo de autonomia (seção 8.6)Para tarefas de alto impacto (segurança, dados pessoais, autenticação, PDP): IA propõe, humano revisa linha a linha, IA valida implementação. Sem autonomia plena da IA nesses contextos.
Trilha de auditoria obrigatória (seções 5.4 e 7.3)Toda infraestrutura e toda implantação devem prever trilha de auditoria suficiente para registrar autenticações, acessos, alterações, falhas e eventos críticos. Sem exceção.
Evidência de reunião como condição de validade (seção 6.2)“A ausência de registro invalida as decisões para fins de rastreabilidade.” Não há reconhecimento de decisão sem transcrição/gravação, captura do protótipo e log estruturado.
Dados pessoais e uso por IA (seção 10.2)Dados pessoais não podem ser utilizados em contextos de IA sem avaliação prévia de necessidade, adequação, retenção e limitação de exposição. Mandatório para qualquer modo de aplicação.

NaturezaComponentes-chave do SinergIA
🟢 OrientativoStack de referência (Apêndice A), documentos opcionais, KPIs orientativos, Modo Ágil, compatibilidade ágil
🔵 Normativo9 princípios gerais, convenção de nomenclatura, regras obrigatórias por PV, evidências mínimas
🟡 OperacionalCiclo operacional, papéis GTI, Artefato Orquestrador, Linter, Modos de Aplicação, estrutura de repositórios
🟠 ProcedimentalCI/CD (INF e IMP), condições de exceção, RUN/Runbook, PMT/Postmortem, monitoração, registro de reunião
🔴 PrescritivoEstrutura das 11 histórias ESP, critérios de divergência, validação cruzada, Modo Completo, estrutura de pastas
🔴⛔ Mandatório FechadoPDP/LGPD, gates de promoção, Linter como bloqueador, Nível 3 Crítico, trilha de auditoria, evidência de reunião

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